Olho o relógio e constato que são 22:07. O período que transcorre neste exato instante é aquele aguardado momento da semana que as pessoas costumam chamar de ‘’sábado à noite’’. Não sinto mais nada ao ouvir tal expressão. O que me impeliu a escrever este texto foi justamente a sensação que estou tendo agora ao gozar de plena solidão na quietude do meu quarto. Preparei um copo de chá quente (sim, eu gosto de tomar isso à noite), acomodei-me bem na cadeira, relaxei o corpo e fui fazer o que sempre faço no notebook: assistir vídeos no youtube, observar o que há de interessante no meu feed do facebook, ler notícias e reportagens, visitar sites de humor, checar meus emails; enfim, explorar e fazer uso do vasto conteúdo da internet, conforme a conveniência do momento. A pergunta que compõe o cerne do meu texto é a seguinte: não posso estar plenamente satisfeito assim?
Caros colegas, gostaria de dizer, entretanto, que não pretendo aqui desmerecer o valor que a companhia de nossos amigos possui, tampouco dizer que interações sociais sadias não contribuem para uma vida equilibrada, harmoniosa e feliz. Aqueles que me conhecem sabem o quanto que eu aprecio estar próximo daqueles que me fazem bem. Quero apenas mostrar o outro lado da moeda e deixar claro que este outro lado não é necessariamente algo ruim e que mereça ser alvo de repulsa e constrangimentos. Sempre consegui me divertir sozinho muito bem e jamais coloquei ‘’a rua’’ em um pedestal como sendo algo que vai preencher o vazio que eventualmente vem à tona em nossas vidas. Bem, confesso que, quando eu era adolescente, atribuía uma importância infinitamente maior a isso; mas tudo bem, é uma época de insegurança em que nós ainda estamos nos formando como indivíduos. Ouso dizer que, pelos padrões contemporâneos de estereotipação, alguns diriam a mim: ‘’Seu velho!’’. Bem, talvez eu esteja velho mesmo. Ou então a tua definição de velho é que está um pouco desvirtuada, quem sabe...
Concluindo, cabe ressaltar que isso tudo é muito vinculado ao grau de autoestima e autoconfiança dos indivíduos, creio eu. É importante desenvolver essa capacidade de se sentir bem ao estar apenas na presença de si mesmo, sem que haja uma necessidade quase que patológica de estar rodeado de outros indivíduos. Será que os monges tibetanos que escolheram viver no isolamento não estão felizes? Aquela é a forma que eles encontraram para seres felizes; encontre a tua e não siga modelos pré-concebidos que compõem a ditadura da pós-modernidade que nos afoga nesse oceano de necessidades forjadas artificialmente. Enfim, era isso que eu tinha a dizer. Agora voltarei às minhas atividades cotidianas aqui neste princípio de madrugada. Ah, a madrugada e seu silêncio e solidão; nada se compara. Tudo me vem à cabeça neste período do dia: minhas amizades, minha família, meu futuro profissional, a baixinha do Direito que povoa meus pensamentos. Enfim, isso é assunto para outra hora... Abraço.

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