Fizeram-me essa mesma pergunta recentemente e eu dei uma resposta relativamente simples e direta, a qual já contemplava bem o meu pensamento. Porém, julguei o tema tão relevante no atual momento em que me encontro que decidi explorá-lo um pouco mais a fundo e refletir sobre suas nuances. Para você, leitor, o que seria viver? E o que seria existir? As definições dadas a esses verbos me soam como bons parâmetros iniciais para constatar a visão de mundo, de uma forma geral, que determinado indivíduo tem dos aspectos da vida. Digo isso porque a delineação do que seria viver é passível de englobar, a meu ver, quase que a totalidade de coisas que aquela pessoa aprecia e/ou julga importantes para si. Enfim, acredito que o ato de viver possa ser simplificadamente descrito como um eterno emaranhado de conflitos e soluções. Talvez possa soar pouco atrativa ou mesmo negativa essa definição, mas irei te explicar o porquê de o conflito ser tão necessário nessa minha visão. O percurso de uma existência pacífica, leve e despreocupada pode ser o desejo de muitos, mas acredito ser um grande equívoco desejar o fácil e o simplório, pois iria totalmente contra à minha concepção pessoal do ato de viver. Pare para pensar um pouco em todas as situações conflituosas e tensas que já foram vivenciadas por você. Conseguiria ter a percepção aguçada o suficiente para perceber o valor que isso possui? Conseguiria enxergar o quanto isso poderia agregar e o quanto traz consigo um caráter identitário? O crescimento pessoal é algo que considero um dos pilares básicos da vivência humana (vivência, não existência), pois é parte integral da sua história de vida, daquilo que fez você ser o que é. Sendo assim, não desanime, não entristeça com as adversidades do dia a dia. Utilizando-me de um desses clichês que sempre são lembrados por aí, eu diria: pegue as pedras que colocam em seu caminho e construa o seu castelo. Isso é viver. Não deseje jamais voltar no tempo para querer evitar os seus erros! Seus erros te trouxeram experiência, sabedoria, forças para evitar errar novamente! Por que você iria querer um caminho fácil? O que isso te traria de positivo? Ouso dizer que aquele que dispõe de um percurso perfeitamente tranquilo em sua caminhada não está vivendo, está existindo. Saindo um pouco dessa questão do emaranhado de conflitos, eu poderia dizer que o ato de viver pode ser também descrito como um grande dicionário de verbos. Quanto maior for o seu dicionário pessoal, maior terá sido a plenitude com que você transcorreu sua vida. Ainda tenho um longo caminho, mas acredito que eu esteja conseguindo gradualmente engrossar esse meu livro que carrego com tanto afinco embaixo do braço aonde quer que eu vá. Jamais se esqueça desses verbos, seria muito interessante que eles constassem em seu dicionário (já conjugados): pule, dance, cante, corra, estude, escreva, leia, saia, treine, sorria, gargalhe, discuta, debata, fale, ouça, brinque, jogue, ande, nade, pule, feche, abra, deite, decepcione-se, chore, caia, levante, supere; enfim, viva. São apenas alguns que lembrei, mas quanto mais, melhor. Não tenha medo de viver! Faça o que achar que deves fazer! Nada que lhe acontecer será por acaso, tudo vai ter a sua função e lhe será útil de alguma forma no futuro. Lembre-se do que falei sobre construir o seu castelo. Como disse o filósofo Plutarco, ‘’É preciso viver, não apenas existir.’’.

Estruturalmente, não está bom. Já as ideias foram boas. Creio que eu esteja vivendo. =]
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