quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Analogia com uma escola.

 No interior da Bahia havia uma escola cujo nome era Planeta Terra. Constavam apenas duas classes de alunos nesta escola: a do Ensino Médio e a do Ensino Fundamental. Os alunos do Médio, obviamente, eram os mais desenvolvidos e os de mais idade e, assim, achavam-se no direito, erroneamente, de tomar as decisões relacionadas à escola de maneira individual, sem tomar em consideração a opinião dos alunos do Fundamental. Fundadora da escola, a Sra. Natureza sempre procurou fazer uma gestão que fosse justa a ambas as classes e que não favorecesse nenhuma de forma individual. Entretanto, sempre se notou um tom de desafio e de confrontamento nas conversas entre os alunos da classe mais antiga e a fundadora. Havia apenas uma professora na escola, chamada Sra. Onu. Era necessário que houvesse apenas um docente no colégio, visto que ambas as classes estavam sujeitas à disciplinas semelhantes. A turma dos mais velhos possuía menos alunos e tinha como representante o aluno EUA. EUA era um menino alto, moreno de cabelos lisos e possuidor de um invejável porte físico. Seus amigos mais íntimos eram o Japão, Israel, China, Alemanha, França e Inglaterra, embora também mantivesse relações mais afastadas, obviamente, com a Suécia, Finlândia, Suíça e alguns outros. Japão era um menino relativamente baixo, tímido e mais quieto, porém dotado de uma capacidade intelectual surpreendente; era ele quem ajudava o EUA a preparar seus discursos para que, assim, nunca fosse vencido nas eleições da classe. A China era uma menina alta, forte e imponente, mas não possuía os traços de beleza delicados, por isso causava uma certa repulsa em muitas pessoas da escola. A Alemanha era a queridinha da classe, pequena menina loira de olhos claros que buscava manter uma relação amistosa com todos, embora sempre tivesse escondido sua atração pelo EUA. A França e a Inglaterra também tinham seu papel de destaque na turma, mas sempre almejavam a posição alcançada pela loira Alemanha. A turma de Ensino Fundamental era a mais numerosa e tinha o Brasil como seu representante. Seus amigos mais íntimos eram a Rússia e a Índia, embora houvesse uma saudável rivalidade entre os três colegas, uma vez que sempre disputavam fervorosamente a liderança na representatividade da classe. Outros alunos seriam a Argentina, África do Sul, Paraguai, Paquistão, além de muitos outros. Todos eles fomentavam um leve sentimento de revolta, pois estava bem claro que faziam parte da turma marginalizada, aquela que, sem outra opção, se submetia à todas as decisões tomadas pela classe de Ensino Médio. Eram constantes os apelos feitos à professora Onu para que esta tomasse medidas para que eles pudessem ter maior peso nas decisões da escola, mas quase sempre eram em vão; até mesmo a professora se submetia, em parte, aos alunos mais experientes, uma vez que eles contavam com maior força e intelecto. A merenda escolar, que era distribuída pela cantina do colégio, tinha a sua maior parte destinada aos mais velhos e, injustamente, os mais novos ficavam com os restos e dependiam, muitas vezes, da compaixão dos maiores, para que estes dessem uma parte de sua comida. Obviamente, isto não era frequente e os menores acabavam com o estômago vazio. Era sabido que o cigarro era um hábito muito comum entre esses estudantes de Ensino Médio e, por incrível que pareça, as normas da escola permitiam que se fumasse no interior das salas de aula, o que fazia com que o ambiente se tornasse muito prejudicial à saúde, porém os mais velhos não se importavam, apenas ignoravam o ocorrido. Felizmente, este péssimo hábito ainda não era comum na turma do Ensino Fundamental, embora alguns maus elementos estivessem estimulando tal prática. A Sra. Natureza estava decepcionada com a conduta de seus alunos, mas não podia fazer mais nada, havia perdido o controle de sua própria escola para os gananciosos do Médio. Paralelo a isto, eram inúteis as tentativas da professora Onu de tentar estabelecer o equilíbrio e a igualdade entre todos, pois também não tinha forças para isto. Então, qual seria o destino desta escola? Estaria ela condenada ao descaso e ao autoritarismo de poucos? Alguém seria capaz de pôr fim a isto e, finalmente, trazer a paz e o fim do clima de confrontamento entre todos? Deixo que a imaginação de meus leitores criem um fim para esta história.

ps: mais do que criar histórias para que as pessoas ocupem seu tempo lendo alguma coisa interessante, a função primordial de meus escritos é fazer com que todos percebam que nós vivemos em um mundo conflituoso e com muitos problemas a serem resolvidos e que, por isso, precisamos nos importar mais com o próximo e parar de olhar para nossos próprios umbigos. Citados no texto, considero o problema da fome e o da poluição como sendo a base de muitas das desgraças que assolam o nosso mundo atualmente. Reflita.
     

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